Tiagão na mira: quando fazer o certo começa a incomodar
Tem coisa que a gente sente antes mesmo de conseguir explicar. Foi assim na sessão da Câmara desta semana. O vereador Tiagão Alves não fez só um discurso — ele desabafou. E quem ouviu, entendeu que ali tinha mais do que política. Tinha incômodo. Tinha revolta. Tinha um pedido claro: “olhem o que está acontecendo”.
Tiagão disse, com todas as letras, que está sendo perseguido. Pode soar forte — e é. Mas os pontos que ele levantou não são simples de ignorar. Um processo que demora 22 dias além do prazo para ser enviado ao Ministério Público. Documentos que deveriam estar ali, mas não aparecem. Informações incompletas. Versões que não batem.
Para quem está de fora, pode parecer só mais uma briga política. Mas para quem acompanha de perto, isso acende um alerta.
Vamos falar de forma direta: quando um vereador que está exercendo o papel dele — fiscalizar — começa a encontrar esse tipo de obstáculo, a dúvida não é só dele. Passa a ser de todo mundo.
E Tiagão fez a pergunta que muita gente gostaria de fazer: quem ele está incomodando tanto?
O problema é que esse episódio não surge sozinho. Ele se soma a outros casos recentes na cidade. Servidores da Orquestra Sinfônica que se manifestaram e acabaram enfrentando processo. Vereadores que viraram alvo de situações polêmicas – Rodrigo Malaman tendo problemas com seu buffet. Jonathas Lazzarotto foi alvo de denúncia que acabou sendo arquivada. Jornalistas pressionados – Arnaldo Tadeu Campos e Danilo Auada. Ambulantes legalizados tendo dificuldades no entorno do Hospital de Amor. A perseguição política contra o diretor deste veículo, Igor Sorente. Gente que fala — e depois sente o peso.
Pode ser coincidência? Pode. Mas já são coincidências demais.
O que começa a aparecer é um clima estranho. Um ambiente onde questionar parece ter consequência. Onde levantar a voz exige coragem — e preparo.
E isso é preocupante.
Porque vereador não foi eleito para concordar com tudo. Foi eleito para fiscalizar, questionar, cobrar. Esse é o trabalho. Quando isso passa a gerar conflito nesse nível, alguma coisa precisa ser revista.
Também é preciso dizer: governar não é fácil. Lidar com crítica, então, menos ainda. Mas faz parte. Está no pacote. Quem assume o poder precisa estar preparado para ser cobrado — inclusive de forma dura.
Talvez o que falte seja isso: mais diálogo, mais transparência, menos tensão.
Tiagão fez o movimento dele. Levou a denúncia adiante, pediu investigação, acionou o Ministério Público. Agora, a situação deixa de ser só política e passa a ser institucional.
E isso muda tudo.
Porque, no fim das contas, não é sobre um vereador. Não é sobre um grupo. É sobre a cidade. Sobre como as coisas estão sendo conduzidas. Sobre confiança.
Barretos não precisa de mais conflito. Precisa de clareza.
Se não há nada errado, que se mostre. Que se explique. Que se prove.
Mas, enquanto isso não acontece, fica a sensação de que tem coisa fora do lugar.
E quando a política começa a causar esse tipo de sensação… é porque a população já percebeu antes mesmo de alguém explicar.


