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Ataque aos servidores vira crise e expõe secretário em Barretos
Declarações feitas pelo secretário de Ordem Pública e Defesa Civil da Prefeitura de Barretos, Luís Umberto de Campos Sarti, conhecido como Kapetinha, durante entrevista concedida à Rádio O Diário, no sábado (17), desencadearam uma série de manifestações de repúdio por parte de servidores públicos, do sindicato da categoria e de vereadores do município. As falas, que abordaram a visão do secretário sobre concurso público e direitos trabalhistas, repercutiram intensamente nas redes sociais e em grupos de WhatsApp ao longo da semana.
Durante a entrevista, Kapetinha utilizou termos contundentes ao comentar o modelo de ingresso no serviço público. “Concurso público, para mim, é colchão. Porque infelizmente as pessoas querem pôr a pastinha debaixo do braço e, na verdade, esquecem do seu comprometimento com a própria sociedade”, afirmou. Na sequência, o secretário defendeu a contratação de bombeiros civis por meio de empresas terceirizadas. “Eu já falei para o prefeito: se nós pudermos contratar o bombeiro civil, melhor, porque não tem atestado, não tem abonada, não tem falta. A empresa é obrigada a colocar outro cidadão. Carece de braço para executar a ação”, declarou, ao comentar sobre faltas e afastamentos.
As afirmações foram recebidas com forte reação do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Barretos, que divulgou uma nota de repúdio. O presidente da entidade afirmou que “o secretário atacou frontalmente a base do serviço público ao se posicionar contra o concurso público e rotular o servidor concursado como alguém que faz corpo mole”. Segundo o dirigente sindical, as declarações ignoram as regras que regem o funcionalismo. “O servidor não falta porque quer. Muitos evitam ao máximo o afastamento, pois até a falta justificada por atestado médico resulta em perdas de benefícios e descontos”, destacou.
Ainda segundo o sindicato, é “alarmante e desumano” que um gestor celebre a ausência de direitos básicos relacionados à saúde, em um cenário de aumento de doenças emocionais entre servidores, especialmente profissionais da linha de frente. A nota também menciona um episódio envolvendo uma bombeira civil avaliada e reprovada pelo secretário antes de sua nomeação, posteriormente exonerada, o que, segundo o sindicato, agravou a repercussão das falas. A entidade afirmou exigir “uma retratação pública e uma postura da administração municipal frente à violência verbal contra o servidor público”.
A reportagem ouviu também uma servidora pública, com mais de 20 anos de carreira na prefeitura, que pediu para não ser identificada por receio de retaliações. Para ela, as declarações deslocam o foco do debate. “Ao transformar o funcionalismo em alvo, ele cria cortinas de fumaça para esconder falhas administrativas, preferindo o espetáculo da controvérsia à responsabilidade de governar com seriedade”, disse.
No meio político, vereadores ouvidos pela reportagem afirmaram que pretendem pressionar o prefeito Odair Silva (REP) para avaliar a permanência de Kapetinha no cargo. Segundo os parlamentares, as falas geraram desgaste institucional e ampliaram o clima de tensão entre a administração municipal e os servidores.
Nas redes sociais e em grupos de WhatsApp, servidores públicos compartilharam mensagens e imagens expressando indignação e preocupação com o teor das declarações. A reportagem teve acesso a diversos registros dessas manifestações, que evidenciam a amplitude da repercussão do caso.
Procurada, a administração municipal se manifestou através de nota. “A Prefeitura da Estância Turística de Barretos esclarece que o referido posicionamento é de caráter estritamente pessoal do secretário, não representando o entendimento, a orientação ou o posicionamento do governo e da administração municipal.” Mas, não se manifestou sobre as cobranças por retratação nem sobre os pedidos de exoneração do secretário.
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