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Um santo pregou missões em Barretos
As missões pregadas pelos redentoristas na cidade foram muito concorridas, segundo pesquisa realizada nos jornais da época: Correio de Barretos, A Semana e A Notícia. Em 1939, as missões aconteceram de 15 a 30 de julho. Participaram os padres Vitor Coelho de Almeida, Sebastião Schwarzmaier e Luiz Pessi.
A imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida chegou no dia 19. No dia 20, às 8h00, uma procissão saiu da Matriz do Divino Espírito Santo com destino ao Fórum e a Cadeia. Ali, houve missa, com a participação das autoridades da cidade. A maioria dos detentos comungou, de acordo com a imprensa.
Neste período foram celebradas várias missas, ministradas aulas de catecismo para crianças, realizadas exposições e visitas ao Santíssimo. Foram legitimados 211 casamentos, atendidas 5.199 confissões, realizadas 700 primeiras comunhões e 2 batizados de adultos, aconteceram 55 pregações. No total, foram dadas mais de 13 mil comunhões.
O bispo de Jaboticabal (SP), Dom Antônio Augusto de Assis encerrou as missões, presidindo a missa campal e procissão, que contou com 8 mil pessoas, segundo avaliação de A Semana. Foi publicado o livreto “O Missionário”, dedicado ao evento.
Nova missão
Atendendo pedido do vigário Raimundo Fuentes, os redentoristas Vitor Coelho de Almeida, Tiago Klinger e Alexandre Morais, pregaram missões em Barretos no período de 2 a 10 de março de 1940. Chegaram pelo noturno da Paulista, sendo recepcionados por muitos fiéis, autoridades e padres.
No dia 4, o trem trouxe de Jaboticabal a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Uma procissão foi realizada até a Matriz, sendo acompanhada por mais de 90 automóveis.
No dia 6, comungaram 850 crianças. Famílias católicas ofereceram doces à meninada. Padre Vitor foi visitado por todas as autoridades da cidade.
Neste período, padre Vitor realizou várias conferências. O pregador falou “às donzelas, às senhoras viúvas e casadas, aos moços, casados ou viúvos”, procurando conduzi-los ao caminho da espiritualidade, de acordo com o jornal A Semana. Na semana, foram realizadas 3.178 confissões, dadas 10.150 comunhões, legitimados 19 casamentos, visitados 23 doentes em casa e outros 54 na Santa Casa.
Padre Vitor Coelho de Almeida.
O batizado
Francisco de Paula Fraietta foi a única criança batizada pelo padre Vitor Coelho de Almeida durante as missões na cidade. A cerimônia está registrada sob o número 207 do livro 35 da Paróquia do Divino Espírito Santo. O sacramento foi administrado no dia 10 de março de 1940, sendo padrinhos Miguel Crescenzo e Concheta de Santis. O garoto nascera a 23 de fevereiro do mesmo ano.
O tempo passou… Francisco de Paula Fraieta virou agropecuarista em Frutal (MG). Contraiu matrimônio com Marilena Paula. O casal tem três filhos e vários netos. Certa ocasião, quando visitou novamente Barretos, lembrou que sua mãe Mariana sempre acompanhava os programas de padre Vitor na Rádio Aparecida e o considerava “um santo”.
Francisco de Paula Fraietta foi batizado pelo padre Vitor na matriz do Divino Espírito Santo. (Foto: Aquino José)
O santo
Vitor Coelho de Almeida nasceu a 22 de setembro de 1899, em Sacramento (MG). Ordenou-se padre a 5 de agosto de 1923. Pregou missões pelo Brasil e passou por Barretos em 1939 e 1940.
Ficou famoso pelos seus programas na Rádio Aparecida, entre eles, o Clube do Sócio, Os Ponteiros Apontam para o Infinito às 12h00 e Consagração a Nossa Senhora Aparecida às 15h00. Faleceu a 21 de julho de 1987. Seus restos mortais se encontram no Memorial Redentorista, localizado na Praça da Basílica Velha, em Aparecida (SP).
Fotos do padre Vitor Coelho de Almeia publicadas no Jornal de Barretos, em julho de 2000.
Dom Antônio Afonso de Miranda, bispo emérito de Taubaté (SP), foi nomeado Juiz do Tribunal Eclesiástico que apurou o caso. Sob sua presidência, foram ouvidas 101 depoentes, entre padres, religiosos e leigos, em 120 sessões. O processo diocesano foi encerrado no dia 30 de agosto de 2008. A documentação é submetida a análise da Santa Sé.
O processo beatificação do Padre Vitor Coelho de Almeida começou em 12 de outubro de 1998, 11 anos depois de sua morte. A fama de santidade corre entre os romeiros que visitam o seu túmulo, pedindo graças e milagres. Quem pede a beatificação é a congregação dos padres redentoristas.
Dom Fré foi testemunha
O terceiro bispo de Barretos, Dom Pedro Fré, foi testemunha no processo de beatificação do missionário Padre Vitor Coelho de Almeida. Fré, antes da função episcopal, morou 22 anos em Aparecida, período em que o “servo de Deus” trabalhava na rádio. Aposentado, o ex-bispo de Barretos voltou a morar em Aparecida. Aos 89 anos, ele faleceu em 3 de abril de 2014 e está sepultado em na capital mariana do país.
Dom Pedro Fré foi testemunha no processo de beatificação do padre Vitor.
Desde 2012, em fevereiro, no Santuário Nacional, acontece a Romaria do Padre Vítor Coelho de Almeida. Em 2017, milhares de peregrinos viajaram até Aparecida para homenagear o missionário redentorista. No Museu do Santuário, o sacerdote ganhou uma estátua de cera. Ele também é patrono do Centro de Eventos da cidade.
Muitos devotos acreditam que está bem próxima a beatificação do padre Vítor Coelho de Almeida.






