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172 anos de Barretos e as escolhas que merecem explicação

 172 anos de Barretos e as escolhas que merecem explicação

Barretos completa 172 anos. E aniversário de cidade é, naturalmente, motivo de celebração. Mas também é uma oportunidade para discutir as escolhas feitas pelo poder público — especialmente quando envolvem dinheiro público, logística e decisões que chamam a atenção da população.

Neste ano, a Prefeitura decidiu levar o desfile cívico para a Avenida Engenheiro Necker Carvalho de Camargos, trecho remodelado da Avenida 7. A mudança, por si só, não é um problema. Uma administração pública tem legitimidade para escolher o local que considera mais adequado.

A questão que merece ser debatida é outra: por que essa escolha?

A avenida está associada a uma importante intervenção realizada na administração anterior, comandada pela ex-prefeita Paula Lemos, que atualmente aparece no cenário político como candidata a deputada estadual. Diante desse contexto, é legítimo perguntar se a escolha do local foi exclusivamente técnica e administrativa ou se também levou em consideração aspectos políticos e de visibilidade pública.

Não estamos afirmando que exista irregularidade ou favorecimento. Estamos questionando uma decisão pública e pedindo que seus critérios sejam apresentados com transparência.

E há outro ponto que merece comparação.

Segundo os dados oficiais de arrecadação consultados por este jornal, entre janeiro e agosto de 2026 foram registrados aproximadamente R$ 671,3 milhões em receitas, contra R$ 621,9 milhões no mesmo período de 2025. A diferença é de cerca de R$ 49,4 milhões, equivalente a aproximadamente 7,9%.

Os números mostram crescimento da arrecadação. Mas é importante fazer uma ressalva: arrecadação não é sinônimo de dinheiro disponível para qualquer finalidade. Há despesas obrigatórias, recursos vinculados, compromissos assumidos e diversas outras variáveis que precisam ser consideradas antes de qualquer conclusão sobre a capacidade financeira do município.

Por isso, também merece explicação a decisão tomada em 2025, quando a programação comemorativa dos 171 anos de Barretos foi cancelada sob a justificativa de necessidade de readequação orçamentária.

A pergunta não é se a Prefeitura tinha ou não dinheiro suficiente para realizar uma festa. Essa conclusão exigiria uma análise muito mais ampla das contas públicas.

A pergunta é mais simples: quais foram os critérios financeiros utilizados naquele momento e quais são os critérios utilizados agora?

Se a situação orçamentária de 2025 justificava o cancelamento, o que mudou para 2026? Houve aumento de arrecadação? Mudança nas despesas? Redução de custos? Outra fonte de financiamento? Ou simplesmente uma decisão administrativa diferente?

O cidadão tem direito a essas respostas.

Também é legítimo perguntar por que o desfile foi deslocado para justamente essa avenida. Se existem razões técnicas — capacidade, segurança, estrutura, mobilidade, acessibilidade ou qualquer outro fator — que elas sejam apresentadas.

Transparência não deveria incomodar ninguém.

O prefeito tem o direito de defender a escolha. A ex-prefeita tem o direito de explicar sua relação com a obra. E a população tem o direito de perguntar se uma decisão administrativa possui apenas justificativas técnicas ou se também produz efeitos políticos.

Não cabe a este jornal afirmar que existe uso eleitoral do evento sem prova concreta. Cabe, sim, registrar que estamos em um ambiente político no qual decisões públicas naturalmente passam pelo escrutínio da sociedade.

Barretos merece comemorar seus 172 anos. Mas merece também entender como suas decisões são tomadas, quanto custam e quais critérios orientam o poder público.

A festa termina. As explicações, não.

E quando o dinheiro é público, perguntar não é fazer oposição. É exercer jornalismo.

Redação

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