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Entre censura e liberdade: o livro de Cassandra Rios que brinca com gênero e desejo
Foto: Folhapress
Canção das Ninfas, de Cassandra Rios, escritora brasileira que foi amplamente censurada durante a ditadura militar, é uma obra que chama atenção justamente pela forma como lida com gênero e desejo. Cassandra foi uma das autoras mais perseguidas pelo regime, especialmente por abordar relações homoafetivas em suas narrativas, o que tornou seus livros alvo frequente de apreensões.
Em Canção das Ninfas, é nítida a estratégia de neutralização ou flexibilização de gênero ao longo do texto. Logo no início, a autora apresenta uma espécie de aviso em forma de poema, sugerindo algo como: “ele ou ela, meu ou minha… este livro é para você oferecer a quem lhe interessar; basta trocar algumas letrinhas ou acrescentar algumas palavrinhas”. Esse recurso não é apenas estilístico, mas político. Ele convida o leitor a adaptar o texto livremente, rompendo com a rigidez das normas de gênero impostas socialmente.
A obra, portanto, vai além de uma narrativa afetiva ou erótica. Ela propõe uma experiência de leitura aberta, quase cúmplice, em que o amor não precisa estar preso a categorias fixas. Dentro do contexto conservador da época, essa escolha ganha ainda mais força, transformando o livro em um gesto de resistência literária e simbólica.
Ficha técnica simplificada
- Título: Canção das Ninfas
- Autora: Cassandra Rios
- Gênero: poesia / literatura erótica-afetiva
- Primeira publicação: 1971
- Idioma: português
- País: Brasil
- Temas centrais: desejo, erotismo, identidade e liberdade afetiva
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