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‘Sertão Urbano’: um segredo de família que o tempo se recusa a curar
Adalgisa Borsato autografa livro de sua autoria. (Foto: Igor Sorente)
O livro “Sertão urbano – Um romance rural”, de Adalgisa Borsato, tem corpo, alma e espírito barretense. Num primeiro momento, estranhei a narrativa: toda em terceira pessoa, com linguagem sucinta e muito direta. Em nenhum momento conhecemos os pensamentos ou sentimentos internos dos personagens — só o que o narrador conta. Mas, depois do estranhamento inicial, a leitura fica curiosamente aconchegante, quase como ouvir um amigo contando uma boa fofoca.
A história acompanha o destino dos membros de uma família da Fazenda Invernada, que se separa após um desentendimento entre irmãos por causa de uma joia herdada. A trama atravessa os anos, entre boas e más notícias, e o que nos move é a esperança de uma reconciliação. O interessante é que Adalgisa não esconde nada do leitor: o tempo todo sabemos onde está a solução do conflito, o que quase dá vontade de entrar no livro e resolver a situação nós mesmos.
A narrativa se arrasta de forma consciente, criando expectativa, até que finalmente a solução aparece — mas o livro termina antes de sabermos se os irmãos realmente se reconciliam. Fica um vazio bonito e incômodo ao mesmo tempo.
No fim, Sertão Urbano é um livro de esperança, drama e tragédia, com um olhar muito humano sobre família, ressentimento e o tempo. Uma obra simples na forma, mas carregada de significados.
Ficha técnica
Título: Sertão urbano – Um romance rural
Autora: Adalgisa Borsato
Ilustração: Marcos Diamantino
Ano de publicação: 2025
Gênero: romance histórico-regional
Formato: livro em prosa
Público-alvo: adulto interessado em memória e cultura
Tema central: família, conflito e passar do tempo
Estilo: narrativa objetiva em terceira pessoa
Editora: Perfil Editorial
Onde comprar:
Os exemplares da primeira edição encontram-se esgotados.
