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CNBB lança Campanha da Fraternidade 2026 com foco em moradia; Barretos também vive desafios habitacionais
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou na Quarta-feira de Cinzas (18), em Brasília (DF), a Campanha da Fraternidade 2026 com o tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (João 1,14). A proposta deste ano convida a sociedade a refletir sobre a moradia como direito fundamental e como base para o acesso a outros direitos, como saúde, educação e segurança.
A abertura nacional marca o início de uma mobilização que se estenderá por dioceses de todo o país. Em Barretos, a programação oficial acontece nesta sexta-feira (20), às 19h30, na Catedral do Divino Espírito Santo, com missa presidida pelo bispo diocesano, Dom Milton Kenan Júnior.
Direito à moradia em números
Segundo dados citados pela campanha, cerca de 328 mil pessoas vivem em situação de rua no Brasil, com base em informações de 2022 do Censo do IBGE. Já o déficit habitacional absoluto no país teria recuado de 6,21 milhões para 5,97 milhões de domicílios entre 2022 e 2023, conforme levantamento do Ministério das Cidades.
O governo federal informa que o programa Minha Casa, Minha Vida contratou mais de 1,9 milhão de unidades habitacionais desde 2023, com investimentos superiores a R$ 300 bilhões. A meta é alcançar 3 milhões de moradias contratadas até o fim de 2026.
A CNBB esclarece que a campanha foi inspirada por uma sugestão da Pastoral da Moradia e Favelas e busca ampliar o debate público sobre habitação, destacando que o acesso à casa própria é considerado uma “porta de entrada” para outros direitos sociais.
A realidade de Barretos
De acordo com o Censo Demográfico 2022 do IBGE, Barretos possui 122.485 habitantes e cerca de 44.519 domicílios. Aproximadamente 65% dos imóveis ocupados são próprios, enquanto 35% correspondem a aluguel ou outras formas de ocupação. O município tem grau de urbanização de 97%.
Embora não haja um número atualizado específico do déficit habitacional local detalhado por componentes, a situação da cidade acompanha tendências regionais. Entre os principais fatores apontados estão:
- Ônus excessivo com aluguel para famílias de até três salários mínimos;
- Coabitação forçada (mais de uma família na mesma residência por falta de recursos);
- Existência de moradias precárias em alguns núcleos urbanos.
Nos últimos anos, programas estaduais e municipais buscaram reduzir esse cenário. Pelo programa Casa Paulista, foram anunciadas 200 novas unidades habitacionais via CDHU em fevereiro de 2026. Já o programa Viver Melhor prevê investimento de R$ 6,3 milhões para reformas em 190 domicílios no núcleo Alto Pimenta. A regularização fundiária também avançou, com mais de 800 imóveis regularizados desde 2023.
Segundo o Censo, 45,8% dos domicílios de Barretos possuem entre seis e nove cômodos, índice acima da média nacional, indicando que parte significativa das moradias já existentes apresenta estrutura adequada de espaço.
Reflexão e mobilização
Na Diocese de Barretos, Dom Milton destacou que a Campanha da Fraternidade propõe reflexão que ultrapassa o campo religioso. “Converter-se a Deus implica também converter-se ao próximo, especialmente aos que sofrem”, afirmou. Ele observou que, apesar do crescimento de novos bairros e moradias nos últimos anos, ainda existem famílias vivendo em condições precárias.
A questão da moradia já havia sido tema da Campanha da Fraternidade em 1993, reforçando o histórico envolvimento da Igreja com pautas sociais.
Com o lançamento da edição 2026, o debate sobre habitação ganha visibilidade também no contexto municipal, em um momento em que programas públicos e iniciativas religiosas convergem para discutir soluções e ampliar o acesso à moradia digna.

