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Justiça suspende concurso da Câmara de Colômbia após MP apontar possíveis irregularidades na contratação da banca

 Justiça suspende concurso da Câmara de Colômbia após MP apontar possíveis irregularidades na contratação da banca

A Justiça de São Paulo determinou a suspensão do concurso público da Câmara Municipal de Colômbia, cuja prova estava prevista para o próximo dia 11 de outubro. A decisão foi tomada pelo juiz Luiz Fernando Silva Oliveira, após pedido do Ministério Público, que apontou uma série de possíveis irregularidades no processo de contratação da empresa responsável pelo concurso e nas regras previstas no edital.

Entre os pontos questionados pelo Ministério Público está a participação de uma funcionária da Câmara no processo de contratação do Instituto Aplicativa e, posteriormente, a inscrição dela no próprio concurso.

Segundo a investigação, a agente de contratações da Câmara, Ellen de Tarso Rodrigues, participou do procedimento que resultou na contratação do Instituto Aplicativa, pelo valor de R$ 27 mil. Ainda de acordo com o Ministério Público, durante o processo o procurador jurídico da Câmara teria apresentado questionamentos sobre a regularidade da contratação e recomendado ajustes.

A investigação afirma que Ellen procurou também um contador de uma empresa privada de São Paulo para obter uma avaliação sobre a questão e que o entendimento apresentado por esse profissional foi utilizado para afastar os apontamentos feitos pela assessoria jurídica da Câmara.

Posteriormente, segundo o Ministério Público, Ellen se inscreveu no concurso para o cargo de Secretário Administrativo, com o número de inscrição 1411. A prova seria organizada, aplicada e corrigida pelo Instituto Aplicativa.

Contratação da banca também é questionada

Outro ponto apresentado pelo Ministério Público envolve a própria documentação utilizada para justificar a contratação do Instituto Aplicativa.

De acordo com a investigação, o instituto foi constituído no final de 2023 e teria o mesmo endereço e integrantes da diretoria de uma empresa chamada Aplicativa Serviços de Apoio e Gestão Administrativa Ltda. O Ministério Público também aponta semelhanças entre os estatutos das duas empresas.

A investigação sustenta que a empresa com fins lucrativos possui registros de problemas relacionados a concursos realizados em outros municípios. O Ministério Público cita casos envolvendo Aramina, Birigui e Areiópolis, nos quais concursos teriam sido cancelados após a identificação de questões consideradas irregulares e problemas nos respectivos procedimentos.

Outro questionamento diz respeito a um atestado de capacidade técnica apresentado pelo Instituto Aplicativa para demonstrar experiência anterior. Segundo o Ministério Público, o documento se referia a serviços realizados em 2022, período anterior à criação do instituto. A investigação afirma que o serviço mencionado no documento teria sido realizado pela outra empresa.

Regras para candidatos com deficiência

O Ministério Público também questionou determinadas regras previstas no edital do concurso.

Segundo a investigação, o documento estabelecia restrições à participação de pessoas com deficiência em determinados cargos. Entre os exemplos apontados estão a previsão que impediria pessoas com deficiência visual de concorrer a qualquer vaga e restrições relacionadas a candidatos com deficiência física nos cargos de motorista e serviços gerais.

Para o Ministério Público, essas regras não estariam de acordo com a necessidade de avaliação individual das condições do candidato para o exercício de cada função.

Salário de controlador aumentou antes do concurso

Outro ponto citado na investigação envolve o cargo de Controlador Interno.

Segundo o Ministério Público, a remuneração da função teria aumentado em 141% apenas seis dias antes de a Câmara iniciar as tratativas para a contratação da empresa responsável pelo concurso. Com a alteração, o salário do cargo teria ultrapassado R$ 10 mil.

A investigação também aponta que o primeiro candidato a se inscrever no concurso teria sido um assessor comissionado da Presidência da Câmara. Segundo o Ministério Público, ele se inscreveu para disputar justamente o cargo de Controlador Interno.

Concurso está suspenso

Diante dos questionamentos apresentados, o juiz Luiz Fernando Silva Oliveira determinou a suspensão do concurso e do contrato firmado com o Instituto Aplicativa.

A decisão também determinou o bloqueio de eventuais pagamentos à empresa e dos valores arrecadados com as taxas de inscrição. Câmara e empresa foram intimadas a divulgar a suspensão do concurso em seus respectivos sites, no prazo estabelecido pela Justiça.

Em caso de descumprimento da determinação, foi fixada multa de R$ 10 mil por dia.

Segundo as informações apresentadas no processo, 299 candidatos tiveram suas inscrições homologadas. Com a decisão judicial, a realização da prova prevista para 11 de outubro fica suspensa.

As medidas determinadas pela Justiça decorrem de uma investigação sobre possíveis irregularidades. A suspensão do concurso e os demais atos judiciais não representam, por si só, uma conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade dos envolvidos, que ainda poderão apresentar suas manifestações no processo.

Igor Sorente

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