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O alto-falante quebrou e o vizinho sumiu

 O alto-falante quebrou e o vizinho sumiu

O carro de som gastou pneu. As bandeirolas com a cara dos candidatos locais ficou lá, tomando sol e chuva, repetindo durante meses o velho apelo: “Vote em quem é de Barretos.”

A urna, porém, contou outra história.

Mais de 8,6 mil barretenses deram o voto para Lucas Pavanato (PL) na disputa federal. Outros 5,6 mil escolheram Eduarda Campopiano (PL) para a Assembleia Legislativa. Erika Hilton (PSOL) recebeu cerca de 2,4 mil votos, enquanto Kim Kataguiri (Missão) ficou perto da marca de 1,0 mil. Outros votos também foram distribuídos entre nomes como Sâmia Bomfim (PSOL), Tabata Amaral (PSB), Eduardo Suplicy (PT), Sofia Favero (PSOL) e Carlos Giannazi (PSOL).

Enquanto isso, os cinco candidatos de Barretos a deputado federal e os seis candidatos locais a deputado estadual não conseguiram transformar a força do discurso regional em votação suficiente para conquistar uma cadeira.

É um resultado que merece reflexão.

Não parece ter sido apenas uma mudança pontual na preferência eleitoral. O resultado mostra que o argumento de votar em alguém simplesmente por ser da cidade perdeu força diante de outros fatores. Para uma parcela significativa do eleitorado, identidade ideológica, presença nas redes sociais, notoriedade nacional e identificação com determinadas pautas pesaram mais do que a proximidade geográfica.

O eleitor trocou, em boa medida, o vizinho de cerca pela tela do celular.

Isso não significa que o eleitor tenha errado. O voto é livre e pertence a cada cidadão. Mas toda escolha eleitoral produz consequências políticas — e é justamente sobre elas que vale pensar.

A questão é prática: quem será a ponte entre Barretos e os novos deputados que receberam votos aqui?

Quando a cidade precisar defender recursos para a saúde, buscar investimentos para infraestrutura, apoiar o produtor rural ou reivindicar verbas para projetos locais, a proximidade com os representantes pode fazer diferença. Não há garantia de que um deputado eleito com votos de Barretos tenha maior compromisso com a cidade apenas por ter recebido esses votos. Da mesma forma, também não há garantia de que um candidato local, se eleito, necessariamente entregaria resultados melhores.

Mas existe uma diferença objetiva: quem vive aqui conhece, de perto, os problemas daqui.

A eleição também deixou um recado para os candidatos locais. Talvez o discurso de “vote em quem é de Barretos” já não seja suficiente. O eleitor parece querer mais do que endereço. Quer ideias, posicionamento, comunicação eficiente e presença onde hoje passa boa parte da disputa política: nas redes sociais.

A política mudou. A campanha mudou. O eleitor mudou.

O candidato que acredita que apenas ser “da terra” garante voto pode estar olhando para uma realidade que já não existe.

Agora vem a parte mais importante.

Depois da eleição, não importa apenas quem recebeu votos. Importa quem estará disposto a trabalhar por Barretos.

Se os novos representantes que receberam milhares de votos na cidade criarem vínculos, apresentarem resultados e ajudarem o município, ótimo. O eleitor terá feito uma escolha legítima e a cidade poderá colher bons frutos.

Se não houver essa aproximação, ficará uma pergunta incômoda para todos — candidatos, eleitores e lideranças locais: na hora em que Barretos precisar de ajuda em Brasília ou na Assembleia Legislativa, quem atenderá ao telefone?

A urna já respondeu quem o eleitor quis eleger.

Agora falta descobrir quem estará disposto a ouvir Barretos.

Redação

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