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A espera no pronto-socorro: Câmara investiga retenção de pacientes psiquiátricos na UPA de Barretos

 A espera no pronto-socorro: Câmara investiga retenção de pacientes psiquiátricos na UPA de Barretos

A rotina de um pronto-socorro exige velocidade. Alguém entra em crise. A equipe médica estabiliza o quadro. Se necessário, o médico transfere o paciente para um hospital estruturado. Essa é a regra. A Câmara Municipal de Barretos quer descobrir se o município aplica essa diretriz na prática. Na sessão ordinária da última segunda-feira (14), o vereador Tiago José Costa Alves, conhecido como Tiagão Alves (União), colocou o dedo nessa ferida. Ele aprovou um requerimento que cobra da Prefeitura explicações detalhadas sobre a fila de espera por leitos psiquiátricos na cidade.

A UPA funciona como a porta de entrada do sistema de saúde. O paciente chega em surto ou com risco de autoagressão. O médico faz o primeiro atendimento. A unidade, contudo, não tem estrutura para internar ninguém por muito tempo. Pense na UPA como um saguão de aeroporto. Você senta ali para esperar o voo, não para morar. Tiagão Alves questionou exatamente o tempo de espera nesse “saguão”. Ele exigiu os números referentes aos últimos 90 dias. O parlamentar quer saber quantos pacientes precisaram de internação na Santa Casa de Misericórdia e, principalmente, quanto tempo ficaram travados na UPA aguardando a liberação dessa vaga.

O vereador listou perguntas incômodas para o Executivo. Ele exigiu que a Prefeitura revele quantos pacientes esperaram mais de 12, 24 e até 48 horas por uma vaga na área de psiquiatria. Solicitou o tempo máximo de espera registrado recentemente. Tiagão Alves também investiga o plano B do município. Quando a Santa Casa lota, a Secretaria Municipal de Saúde envia essas pessoas para onde? O documento cobra dados sobre possíveis transferências para unidades psiquiátricas de outras cidades e pede cópias de protocolos formais que determinem esse fluxo de atendimento.

Uma pessoa em descompensação emocional demanda intervenção médica especializada. A UPA oferece macas de emergência e um trânsito intenso de pessoas. Manter um paciente psiquiátrico ali por horas ou dias seguidos castiga o doente, esgota a família e sobrecarrega os profissionais de saúde responsáveis pelo atendimento. A retenção prolongada desses indivíduos gera um efeito dominó em todo o prédio. Quem aguarda transferência ocupa um espaço essencial. Isso compromete diretamente a capacidade da unidade de receber novos pacientes com casos urgentes.

O Poder Executivo precisa agora entregar um relatório estatístico completo contendo o número de solicitações originadas na UPA, os encaminhamentos efetivados e o tempo de espera. Os parlamentares usarão esses números para procurar gargalos no sistema de regulação. Se os relatórios confirmarem retenções excessivas, a Prefeitura terá que responder por que o cuidado com a saúde mental do município tem estacionado nas macas rotativas da urgência.

Redação

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