Encontro de Muladeiros começa nesta quarta-feira com programação gratuita
Impacto do El Niño põe Barretos no foco de ações preventivas
Incêndio em Barretos em 2023 consumiu quase 3 mil metros quadrados de vegetação.
Barretos está em alerta para o risco de incêndios florestais nos próximos meses. A classificação integra um levantamento que também aponta diferentes níveis de atenção em municípios da região. Colina, Embaúba, Guaíra, Guaraci, Jaborandi, Monte Azul Paulista e Severínia aparecem em situação de atenção. Altair, Bebedouro, Cajobi, Olímpia, Pirangi, Taiaçu, Taiúva, Terra Roxa, Viradouro e Vista Alegre do Alto estão em observação. Colômbia também aparece em alerta.
O risco pode aumentar até novembro, caso a chuva demore a se firmar e a umidade do ar permaneça baixa. O fenômeno El Niño, que altera a distribuição das chuvas e das temperaturas, ainda não provocou a seca esperada para setembro em todas as regiões. Isso não elimina a possibilidade de um período mais crítico adiante.
Meteorologistas do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) avaliam que o cenário de risco continua, principalmente em áreas onde a precipitação permanece abaixo da média. No Centro-Norte do país, o fenômeno pode atrasar o início do próximo ciclo chuvoso. A estiagem, nesse caso, chegaria mais tarde e prolongaria a temporada de queimadas até o fim de 2026 ou o começo de 2027.
O governo federal reuniu gestores municipais e estaduais no fim de agosto para apresentar medidas de prevenção e resposta. Entre as ações estão a liberação mais rápida de recursos, o reforço de brigadistas e a ampliação da estrutura de combate. O país conta com 49 aeronaves destinadas a esse tipo de operação. O Ibama também notificou mais de 10 mil proprietários rurais em áreas consideradas críticas da Amazônia, do Cerrado e do Pantanal.
Desde 2023, o governo informa ter ampliado em 138% o orçamento destinado ao controle do desmatamento e ao combate aos incêndios. O número de brigadistas federais subiu de 3.523, em 2023, para 4.410 em julho deste ano.
Em 2024, após um recorde de incêndios florestais, o país aprovou a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo. A regra distribui responsabilidades entre União, estados e municípios e prevê a criação de brigadas, planos locais de prevenção e protocolos para o uso controlado do fogo.
A estrutura ainda não alcançou todo o país. Um levantamento do Centro Brasil no Clima indica que apenas quatro estados aprovaram formalmente planos de manejo integrado do fogo. Em muitos locais, a prevenção ainda fica em segundo plano e as ações começam apenas quando o incêndio já avançou.
Em Barretos e nos municípios próximos, a prevenção depende de medidas simples e contínuas: acompanhar a previsão do tempo, manter aceiros, evitar queimadas em períodos de vento e baixa umidade e afastar materiais secos de estradas, propriedades e áreas de vegetação. Um foco pequeno pode ganhar força rapidamente quando encontra capim seco e rajadas de vento.
Quase todo incêndio começa com uma fonte de ignição humana, de forma intencional ou acidental. Quando o fogo escapa do controle, o prejuízo alcança lavouras, pastagens, áreas de preservação e a qualidade do ar. Para o morador, o alerta significa atenção redobrada, principalmente nos dias secos e com vento: uma faísca pode ser o começo de um incêndio difícil de conter.


