Barretos paga R$ 3,8 milhões em aluguéis e mantém 23 imóveis sem contrato vigente
Relatório do vereador Jonathas Lazzarotto (PSD), elaborado com base em documentos oficiais da Prefeitura de Barretos, aponta falhas formais em contratos de aluguel que movimentam quase R$ 3,8 milhões por ano.
A planilha municipal de março de 2026 relaciona 37 imóveis alugados, com custo mensal de R$ 315,8 mil. Desse total, 23 imóveis — 62,2% — não tinham contrato em vigência regular. Em 21 casos, o prazo já havia terminado; alguns contratos estavam vencidos há mais de dez anos.
O relatório também registra 11 locações sem número de processo administrativo, somando R$ 69,1 mil por mês. O processo funciona como a “pasta” que reúne justificativas, avaliações, parecer jurídico e autorização para a contratação.
A documentação entregue à Câmara não incluiu nenhum arquivo referente a 13 imóveis, que custam juntos R$ 84,6 mil mensais. Entre os processos não apresentados está o da própria sede da Prefeitura, o Paço Municipal, alugado por R$ 79,3 mil por mês.
Outro ponto destacado envolve dois imóveis declarados como desocupados, mas ainda relacionados na folha de aluguéis. Eles representam R$ 9.050,14 mensais. Durante a mudança da sede da Assistência Social, o Município chegou a manter dois endereços pagos simultaneamente por 142 dias.
O relatório aponta ainda uma cobrança de R$ 4 mil por mês, durante 60 parcelas, para reformar um imóvel particular alugado pela Polícia Civil. O compromisso total chega a R$ 240 mil, sem que tenham sido apresentados projeto, orçamento ou medições da obra.
A Prefeitura também paga R$ 93,1 mil mensais por imóveis usados por órgãos da União e do Estado, incluindo residências funcionais de militares. Segundo o documento, a resposta oficial não apresentou convênios ou autorizações orçamentárias para essas despesas.
O levantamento não afirma, por si só, quanto foi efetivamente pago em cada caso. Para confirmar os desembolsos, seriam necessários empenhos, liquidações e comprovantes de pagamento. O vereador informou que prepara uma ação popular e uma notícia de fato ao Ministério Público para pedir a apuração dos contratos e dos gastos.


