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Barretos lotou a porteira. Agora precisa cuidar do que entra

 Barretos lotou a porteira. Agora precisa cuidar do que entra

Quem achou que o rodeio de Barretos tinha atingido o teto ainda não entendeu uma coisa básica sobre gente: multidão não se mede apenas pelo tamanho da arena. Mede-se pela capacidade de despertar desejo.

Jerônimo Muzeti e Os Independentes conseguiram fazer algo que merece ser reconhecido: levar a Festa do Peão de Barretos a um público novo. A edição de 2026 chegou cercada de números expressivos, com ingressos, camarotes e camping disputados antecipadamente.

Mais importante do que isso é perceber quem está chegando. Uma parcela significativa do público teria vindo pela primeira vez a Barretos. E muitos descobriram a festa não pela televisão, mas pelo celular.

Essa mudança diz muito sobre comunicação.

A grande mídia continua importante, mas as redes sociais mudaram completamente a lógica de divulgação. Criadores de conteúdo como Rafa Kalimann, Gustavo Tubarão, Camila Loures e Jon Vlogs conseguem falar diretamente com milhões de pessoas, com uma linguagem que dificilmente seria reproduzida por uma campanha publicitária tradicional.

Os Independentes perceberam essa transformação e souberam utilizá-la.

Mas toda estratégia que amplia o alcance também amplia os riscos.

Quanto maior e mais diverso o público, maior precisa ser a capacidade de organização, fiscalização e prevenção. A repercussão de episódios envolvendo conflitos e comportamentos inadequados durante o evento mostra que a exposição proporcionada pelas redes sociais tem dois lados: ela promove a festa, mas também transforma qualquer problema em notícia em questão de minutos.

É justamente aí que está o desafio.

A internet não permite mais que eventos sejam vistos apenas pelo ângulo produzido pela organização. O público registra, comenta, transmite e compartilha. O que acontece no parque pode alcançar o país inteiro antes mesmo de a organização conseguir explicar o que ocorreu.

Isso exige uma mudança de mentalidade.

Barretos acertou ao abrir as porteiras para uma nova geração. O público jovem chegou, os influenciadores chegaram e a festa ganhou uma dimensão ainda maior nas redes.

Agora é preciso garantir que o crescimento não custe aquilo que tornou a Festa do Peão conhecida: sua identidade, sua tradição e sua capacidade de representar a cultura sertaneja.

Barretos pode, sim, ser moderna sem deixar de ser Barretos.

A porteira foi escancarada. O desafio daqui para frente é escolher muito bem o que entra — e preservar aquilo que não pode sair.

Redação

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