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Morre o jornalista Maurício José Gonçalves, o Pardal, aos 57 anos em Barretos
O jornalista Maurício José Gonçalves, conhecido como Pardal, morreu na madrugada deste sábado (22), aos 57 anos, na Santa Casa de Barretos. Ele estava internado na UTI em decorrência de problemas de saúde. Na tarde de sexta-feira (21), já no hospital, Maurício contou ao jornalista Igor Sorente que enfrentava uma trombose.
Maurício ocupava havia seis anos o cargo de redator-chefe do Jornal de Barretos. Também trabalhou no extinto Documento Diário.
No esporte, construiu outra parte importante de sua trajetória. Durante muitos anos, atuou nas escolinhas de futebol de salão da União dos Empregados no Comércio, onde também trabalhou como funcionário e participou da formação de jogadores que ganharam espaço no esporte de Barretos. Corintiano, era conhecido pelo envolvimento com o futebol.
Solteiro e sem filhos, Maurício deixa uma trajetória marcada principalmente pelo trabalho nos bastidores das redações.
Era um jornalista de dados. O termo pode parecer técnico, mas a ideia é simples: transformar números, documentos e informações dispersas em reportagem, encontrando neles histórias que muitas vezes não aparecem numa leitura superficial.
No Jornal de Barretos, essa característica ficou presente em diversas reportagens relacionadas a dados e informações públicas. Maurício tinha também um jeito próprio de trabalhar. Gostava de conversar, investigar e ir atrás da informação.
O velório se iniciou às 11h, no Municipal. O sepultamento está marcado para as 17h, no Cemitério Municipal, segundo informações da família.
Colegas lembram a trajetória
A notícia da morte provocou manifestações entre jornalistas, fotógrafos e profissionais que conviveram com Maurício ao longo dos anos.
O jornalista Anderson Prates escreveu: “Meus sinceros sentimentos, um cara ímpar, inteligente e muito humilde. Gente boa demais!!!”
Igor Mendes também lembrou a convivência no Jornal de Barretos. “Que tristeza! Maurício era uma pessoa maravilhosa, aprendi muito com ele na minha curta passagem no JBR. Que ele descanse em paz.”
O fotógrafo Eduardo Trindade destacou a atuação profissional. “Grande profissional. Também aprendi muito durante a minha passagem pelo JBR. Fará muita falta!”
O jornalista José Carlos Ferreira, o Zeca contou que conhecia Maurício havia muitos anos. “Grande Maurício Gonçalves. Pardal. Vai fazer falta. Amigo de muitos anos. Antes do jornalismo.” Relatou ainda que havia procurado Maurício na redação dias antes, mas não conseguiu encontrá-lo. “Vou guardar grandes e felizes lembranças. E guardar saudades.”
O empresário Abdala Rezek Filho, proprietário do Jornal de Barretos, também se manifestou. “Extremamente inteligente, um cara super gente boa e de um coração gigante.” Rezek agradeceu pelo período em que Maurício trabalhou no jornal e pediu conforto para familiares e amigos.
O jornalista Divino Pereira, o Pepe, lembrou dos períodos em que os dois trabalharam em projetos de Carlos Aguilera. “Trabalhamos num dos projetos do Carlos Aguilera, quase que diariamente trombávamos no corre-corre!”
Luiz Nascimento também lamentou a morte. “Meus sentimentos à família, e aos amigos. Mais um colega que nos deixa e parte à Casa do Pai.”
“Foi ele quem acreditou em mim”
Entre os relatos publicados após a morte, o jornalista Samuel da Silva Santos descreveu Maurício como alguém que teve participação direta no início de sua própria trajetória profissional.
Samuel conta que conheceu Maurício quando tinha 16 anos. O encontro aconteceu em um banco da Praça Francisco Barreto, durante um curso na área de tecnologia. Naquele período, segundo ele, carregava apenas o sonho de trabalhar com comunicação e jornalismo.
Maurício acabou abrindo uma porta.
Foi ele quem proporcionou a Samuel uma oportunidade no Jornal de Barretos. Ali, segundo o jornalista, vieram ensinamentos que continuam presentes em seu trabalho.
“Maurício corrigiu meus textos inúmeras vezes, me ensinou a escrever, me mostrou caminhos e, principalmente, acreditou em mim quando eu ainda estava começando”, escreveu.
Samuel também descreveu uma característica que marcava a atuação de Maurício: o conhecimento acumulado longe dos holofotes.
“Para quem olhasse de fora, parecia ser apenas um homem simples. Ninguém imaginava o tamanho do conhecimento que carregava.”
Segundo Samuel, jornalistas procuravam Maurício na redação em busca de informações e caminhos para determinadas apurações. Ele cita uma pergunta que ouviu várias vezes: “Maurício, como você conseguiu isso?”
A resposta, muitas vezes, estava na experiência acumulada ao longo dos anos.
Samuel afirma ainda que, nos últimos anos, Maurício conduziu praticamente sozinho a rotina do Jornal de Barretos Regional. Uma publicação de oito páginas que, anteriormente, envolvia três ou quatro jornalistas passou a depender diariamente do trabalho dele, tanto na edição impressa quanto na versão em PDF, segundo o relato.
Era um trabalho pouco visível para quem estava do lado de fora da redação.
Maurício não era presença constante em câmeras, rádio ou televisão. Seu trabalho aparecia principalmente nas páginas do jornal, nas informações apuradas e nas histórias que chegavam ao leitor.
“Hoje, Barretos e toda a região perdem um grande jornalista”, escreveu Samuel. “Para mim, ele será sempre o ‘Pardal’ que acreditou em um garoto de 16 anos que tinha apenas um sonho.”
O jornalista encerrou a homenagem agradecendo pelas correções, pelas conversas, pelos ensinamentos e pela oportunidade que Maurício ajudou a colocar em seu caminho.
O jornalista Roberto José Minuncio resumiu essa trajetória em uma mensagem curta: “O Pardal era nota 10. Convivemos juntos muitos anos, grande profissional.” Minuncio também destacou o trabalho realizado por Maurício no esporte. “Formou muitos jogadores, em sua atuação nas escolinhas de futsal da União.”
Entre a redação e a quadra, Maurício construiu uma carreira ligada a duas atividades diferentes, mas que tinham algo em comum: o contato direto com pessoas e histórias de Barretos.
Agora, colegas, ex-companheiros de trabalho e pessoas que passaram por sua trajetória ficam com as lembranças de um jornalista que preferia estar atrás da notícia a estar diante dela


