Sub-20 e Sub-17 do BEC avançam para a próxima fase do Paulista
Governo precisa dialogar mais e confrontar menos
Cargo de prefeito exige habilidades diferentes das de um comunicador. No rádio, opiniões são apresentadas diariamente ao público. Na administração municipal, porém, decisões precisam ser acompanhadas de diálogo, articulação política e capacidade de construir consensos. Essa diferença parece ter se tornado um dos principais desafios da gestão do prefeito Odair Silva.
Ao longo do mandato, acumulam-se episódios que alimentam a percepção de distanciamento entre o Executivo e diferentes setores da sociedade. Lideranças políticas experientes, inclusive ex-prefeitos da cidade, fizeram críticas públicas à condução administrativa e à forma como a relação institucional vem sendo construída. Independentemente da concordância ou não com essas avaliações, elas revelam um ambiente político de crescente desgaste.
Também é legítimo questionar se a atual administração tem conseguido imprimir uma marca própria. A inauguração de obras iniciadas em gestões anteriores faz parte da continuidade administrativa, mas a população também espera novos projetos, planejamento e iniciativas capazes de deixar um legado próprio.
Outro ponto que merece reflexão é a relação com categorias organizadas. Os conflitos envolvendo professores durante o movimento grevista e os episódios relacionados à Orquestra Sinfônica Municipal reforçaram a percepção de que o diálogo poderia ter recebido maior prioridade. Em qualquer administração pública, divergências são naturais, mas a capacidade de construir soluções negociadas costuma produzir resultados mais duradouros do que o confronto permanente.
A relação entre o Poder Público e a imprensa também precisa ser pautada pelo respeito institucional. Este jornal registra que perdeu um anunciante, como também as demais empresas do grupo deixaram de assinar contratos em vista do medo imposto. Tais fatos são públicos. No entanto, independentemente das divergências existentes, a liberdade de imprensa e o direito de fiscalização dos atos da administração são princípios assegurados pela Constituição Federal. Da mesma forma, agentes públicos também possuem o direito de recorrer ao Poder Judiciário quando entendem que foram atingidos por informações que considerem inadequadas. Cabe à Justiça apreciar esses conflitos dentro do devido processo legal.
No campo político, é natural que a Câmara Municipal exerça com maior intensidade sua função fiscalizadora quando entende necessário. O debate entre Executivo e Legislativo faz parte da democracia e deve ocorrer dentro dos limites do respeito institucional e da independência entre os Poderes.
Mandatos são temporários. Instituições permanecem. Prefeitos passam, vereadores passam, jornalistas passam, mas o interesse público continua sendo permanente. É justamente por isso que a crítica responsável deve ser preservada, assim como o direito de resposta, o contraditório e o respeito às garantias constitucionais de todos os envolvidos.
A expectativa da população é simples: menos desgaste político e mais capacidade de diálogo. Governar exige firmeza, mas também disposição para ouvir. É dessa combinação que normalmente surgem as administrações que deixam resultados positivos para a cidade.


