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O contraste entre o marketing e a realidade: o raio-X do descaso na Educação Municipal

 O contraste entre o marketing e a realidade: o raio-X do descaso na Educação Municipal
  • Túlio Guitarrari é filósofo, técnico contábil, jornalista e pós-graduado em Ciência Política e Teologia.

A distância entre a narrativa divulgada pelas redes sociais oficiais e a realidade vivenciada nas instituições de ensino do município revela uma preocupante crise de prioridades na gestão pública. Enquanto a administração investe recursos e energia na construção da imagem de uma “cidade modelo”, voltada ao turismo e à promoção institucional, a infraestrutura da rede municipal de educação infantil e fundamental expõe uma realidade marcada pelo abandono e por riscos que afetam alunos, professores e demais profissionais da educação.

Casos recentes demonstram que os problemas estruturais não são episódios isolados, mas indícios de uma falha sistêmica na manutenção preventiva dos prédios públicos. Na CEMEI Antônio Dalla Costa, alertas feitos por pais, moradores da comunidade e pela própria direção da unidade — relatando muros comprometidos e brinquedos danificados no parquinho — aguardam providências em meio à morosidade burocrática. Situação semelhante ocorre na Escola Ivone Diniz Junqueira, no bairro Vida Nova, onde o visível desgaste do telhado levanta sérias preocupações sobre a segurança de alunos e profissionais.

Vídeos gravados por frequentadores e divulgados nas redes sociais reforçam a gravidade das denúncias. As imagens mostram goteiras e infiltrações, evidenciando a preocupação de pais, estudantes e funcionários diante do avanço da água em ambientes destinados ao aprendizado e à convivência escolar.

A Sazonalidade da Fiscalização e o Sumiço dos Palanques

O comportamento da administração pública parece seguir um padrão recorrente: a agilidade demonstrada na divulgação de ações e eventos contrasta com a lentidão na resolução de problemas essenciais. Há presença constante em inaugurações, cerimônias e publicações institucionais capazes de gerar repercussão positiva. No entanto, quando a demanda exige manutenção, fiscalização e conservação dos equipamentos públicos já existentes, a resposta se torna lenta ou simplesmente inexistente.

O período de chuvas funciona como um verdadeiro teste de resistência para a infraestrutura municipal. E é justamente nesses momentos que a realidade desmente o discurso oficial. Infiltrações, goteiras e danos estruturais, amplamente registrados em vídeos que circulam pela internet, obrigam crianças e educadores a conviver com a insegurança dentro de um ambiente que deveria assegurar proteção, dignidade e condições adequadas para o ensino.

A Urgência da Responsabilidade Administrativa

Transformar serviços públicos essenciais em instrumentos de marketing compromete a confiança da população e esvazia o verdadeiro sentido da gestão pública. Educação e saúde constituem pilares fundamentais para o desenvolvimento de qualquer sociedade e não podem ser tratadas como despesas secundárias nem reduzidas a peças de propaganda institucional.

Um teto que ameaça ceder ou um muro com falhas estruturais não se sustenta por meio de publicações em redes sociais, discursos bem elaborados ou slogans de efeito. Cabe à Secretaria Municipal de Educação atuar de forma preventiva, realizar vistorias técnicas periódicas e responder com rapidez às demandas que envolvem a segurança da comunidade escolar.

Garantir ambientes escolares seguros, secos, adequados e dignos não representa um favor prestado à população, mas o cumprimento de uma obrigação elementar do poder público. A persistência da omissão diante de denúncias legítimas apenas amplia a indignação de uma sociedade que cumpre regularmente suas obrigações fiscais e espera, em contrapartida, serviços públicos compatíveis com os recursos que financia.

Paz e Bem!

Redação

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