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Ranking ABES 2026 revela avanços e desafios no saneamento básico: Barretos e cidades da região se destacam nos indicadores

 Ranking ABES 2026 revela avanços e desafios no saneamento básico: Barretos e cidades da região se destacam nos indicadores

A Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES) divulgou a edição de 2026 do Ranking da Universalização do Saneamento, um levantamento que reúne 2.558 municípios habilitados. O estudo reflete aproximadamente 80% da população nacional e conta com a participação de todas as 27 capitais do país. Com o ano de referência baseado em 2024, a publicação marca um período de transição metodológica fundamental: o encerramento do antigo SNIS e a adoção definitiva da plataforma do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA), vinculado ao Ministério das Cidades.

“O Ranking ABES da Universalização do Saneamento é um instrumento que permite acompanhar, de forma comparável e periódica, o quão próximos os municípios brasileiros estão da universalização do saneamento.”

O Desempenho de Barretos na categoria máxima

Entre os municípios de grande porte — aqueles com população estimada acima de 100 mil habitantes —, a cidade de Barretos figura em posição de destaque nacional. Classificada na categoria “Rumo à Universalização” por obter uma nota final superior a 489,00 pontos, Barretos atingiu a pontuação total de 494,08 pontos de um máximo de 500 possíveis.

Os indicadores autodeclarados do município demonstram equilíbrio entre os diferentes serviços avaliados:

  • Atendimento de água (IAG0001): 97,04%
  • Coleta de esgoto (IES0001): 97,04%
  • Tratamento de esgoto (IES2003): 100,00%
  • Coleta de resíduos sólidos (IRS0001): 100,00%
  • Disposição final adequada de resíduos (IRS3002 adaptado): 100,00%

Além da infraestrutura regulamentada e da existência de um Plano Municipal de Saneamento Básico ativo, a cidade registrou uma taxa de internações por Doenças Relacionadas ao Saneamento Ambiental Inadequado (DRSAI) de 37,91 para cada 100 mil habitantes.

Raio-X da região: Destaques de pequeno e médio porte

O estudo apresenta os resultados municipais divididos por porte populacional. Na análise das cidades que integram a região administrativa de Barretos e arredores, há uma distribuição heterogênea entre os diferentes níveis de adequação propostos pela ABES.

Rumo à Universalização (Acima de 489,00 pontos)

Além da própria cabeceira regional de grande porte, três municípios da região de pequeno e médio porte (até 100 mil habitantes) alcançaram o topo do ranking regulatório:

  • Terra Roxa (SP): Somou 499,20 pontos, registrando 100,00% em água, coleta de esgoto, coleta de resíduos e disposição final, além de 99,20% no tratamento de esgoto. Sua taxa de internação por DRSAI é de 37,57.
  • Jaborandi (SP): Alcançou 496,41 pontos, apresentando abastecimento de água em 98,24%, coleta de esgoto em 98,17% e índice máximo de 100,00% nos demais serviços.
  • Viradouro (SP): Registrou 490,03 pontos no total, apresentando taxas de 97,24% para água e coleta de esgoto, 98,98% para o esgoto tratado e uma taxa de DRSAI de 22,62.

Compromisso com a Universalização (De 450,00 a 489,00 pontos)

Esta categoria concentra cidades com infraestrutura encaminhada. No recorte regional, destacam-se:

  • Embaúba (SP): 488,27 pontos.
  • Severínia (SP): 487,00 pontos.
  • Vista Alegre do Alto (SP): 485,07 pontos.
  • Altair (SP): 473,73 pontos.
  • Taiaçu (SP): 471,54 pontos.
  • Guaíra (SP): 469,79 pontos, com taxa de internações DRSAI fixada em 49,48.
  • Colômbia (SP): 465,43 pontos.
  • Guaraci (SP): 458,98 pontos.

Empenho para Universalização (De 200,00 a 449,99 pontos)

Municípios situados nesta faixa enfrentam desafios intermediários, majoritariamente concentrados nos índices de tratamento de efluentes. Estão incluídos:

  • Bebedouro (SP): Obteve 439,18 pontos. Apesar de registrar 100,00% na coleta de lixo e destinação final, além de 96,54% em redes de água e coleta de esgoto, o município apresenta média de 46,10% no volume de esgoto tratado referido à água consumida. A taxa de internação hospitalar por DRSAI foi de 31,97.
  • Monte Azul Paulista (SP): Atingiu 423,02 pontos, com uma taxa de internações por DRSAI de 163,37. O serviço com menor cobertura é o tratamento de esgoto, com 56,00%.
  • Taiúva (SP): Registrou 389,80 pontos, com coberturas idênticas de 79,22% para água, rede coletora e destinação de resíduos domésticos.
  • Pirangi (SP): Somou 377,23 pontos. Embora apresente 100,00% de disposição final adequada, possui índice crítico de 0,12% no tratamento de esgoto referido à água consumida. Paralelamente, registra a maior taxa regional de internações por DRSAI no levantamento: 478,51 casos por 100 mil habitantes.

Municípios como Cajobi, Colina e Olímpia não figuram nas tabelas do apêndice técnico da publicação, o que indica que não preencheram a totalidade das informações necessárias junto à base do SINISA ou apresentaram inconformidades na validação dos dados de elegibilidade, resultando em exclusão automática do ranking.

Reflexos diretos na saúde pública e no planejamento

A pesquisa reforça de forma estatística que a infraestrutura sanitária impacta os gastos e a ocupação do sistema público de saúde. O cruzamento de dados com o DATASUS demonstra uma tendência clara de causalidade: “À medida que os municípios se afastam da universalização, aumentam as taxas médias de internação por doenças evitáveis.”

Nos grupos de pequeno e médio porte, a média das internações por infecções feco-orais (como diarreias, hepatite A e febre tifoide) salta de 84,00 internações por 100 mil habitantes na categoria Rumo à Universalização para 198,85 internações na categoria Primeiros Passos. O mesmo padrão ocorre no planejamento institucional: enquanto 92,55% das cidades do topo do ranking possuem Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) vigente, o índice cai para 63,39% entre aquelas situadas nas faixas inferiores de pontuação.

Igor Sorente

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