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Chuvas, vídeos e conversa fiada
- Túlio Guitarrari é filósofo, técnico contábil, jornalista e pós-graduado em Ciência Política e Teologia.
Semana de chuvas intensas e a população barretense já demonstra preocupação. Afinal, chuva em Barretos costuma ser sinônimo de transtornos. Alagamentos e vias que, quando não ficam submersas, tornam-se praticamente intransitáveis, passam a exibir novos buracos no asfalto que, somados às poças d’água, transformam o trajeto em uma verdadeira aventura de solavancos.
Para quem dirige, os prejuízos aparecem em forma de amortecedores danificados, pneus comprometidos e gastos inesperados. Para quem utiliza motocicleta, além do impacto financeiro, há também o risco direto à integridade física.
E sejamos francos: antes que alguns vereadores comecem a publicar vídeos no Instagram, no estilo “Estou aqui na rua ‘X’, no bairro ‘Y’. As fortes chuvas abriram buracos, mas já solicitei ao prefeito os devidos reparos”, vale lembrar uma coisa básica: chuva não abre buraco. O que abre buraco é serviço malfeito.
Serviço malfeito por gestões passadas e também por reparos mal executados na gestão atual. E, se os vereadores estivessem realmente preocupados, desde o ano passado já teriam feito mais do que simples solicitações. Teriam cumprido plenamente suas funções de fiscalização, cobrando obras que a cidade merece — obras de qualidade, duráveis — e não esses remendos que Barretos vem sendo obrigada a “engolir seco” há anos.
Basta uma chuva mais forte para que os vídeos com problemas no trânsito se espalhem rapidamente pelos grupos de WhatsApp.
Às vezes fico me perguntando qual é, de fato, o grau de respeito que a maioria dos políticos barretenses tem pela cidade. Todos sabem que as chuvas vêm todos os anos — e, mesmo assim, o cenário se repete. Surgem vídeos nas redes sociais dizendo que estão organizando ações, se programando, fiscalizando. Mas, na prática, a cidade continua enfrentando os mesmos problemas.
Filas na saúde pública, falta de medicamentos, ruas esburacadas e servidores públicos desrespeitados pela administração em diversos aspectos. Ao mesmo tempo, multiplicam-se cargos de confiança destinados a indicados políticos, muitos deles com altos salários. Desta vez, inclusive, o próprio prefeito admitiu ter nomeado indicados de vereadores — embora não tenha revelado quais vereadores fizeram as indicações nem quem são os nomeados.
Enquanto isso, a celeuma segue firme, os resultados continuam sendo questionados e a população permanece aguardando um futuro que parece nunca chegar.
Barretos costuma melhorar um pouco apenas em época de campanha eleitoral. Fora desse período, a cidade patina, escorrega e cai. Cai no desprezo. Cai no despreparo de muitos eleitos. Mas a pior queda acontece justamente no dia do voto — quando se cai, mais uma vez, na conversa fiada de malandro.
Acorda, Barretos.
Paz e Bem.


