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Renato Reis assume direção da Santa Casa e aponta desafios financeiros e estruturais do hospital

 Renato Reis assume direção da Santa Casa e aponta desafios financeiros e estruturais do hospital

Durante a entrevista, Renato Reis descreveu a responsabilidade de assumir a direção de uma instituição considerada referência regional em saúde pública. Segundo ele, a Santa Casa atende exclusivamente pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) e possui papel central na assistência hospitalar da região.

“Hoje nós temos uma Santa Casa que atende mais de 500 mil pessoas. É um desafio, uma missão muito grande”, afirmou para o jornalista André Teixeira, na Rádio Jornal.

De acordo com o diretor, um dos principais obstáculos enfrentados pela instituição é o equilíbrio financeiro. O hospital registra atualmente um déficit mensal de aproximadamente R$ 4,7 milhões.

“Hoje nós temos um faturamento do SUS de aproximadamente R$ 10 milhões por mês, mas uma despesa total de cerca de R$ 15 milhões. Então nós precisamos correr atrás de quase R$ 5 milhões todos os meses”, explicou.

Hospital regional atende 18 municípios

A Santa Casa de Barretos atende pacientes de 18 cidades da região. Segundo Renato Reis, cerca de 65% da demanda é da própria cidade e os demais 35% vêm de municípios vizinhos.

Ele destaca que o crescimento populacional da região ampliou a procura por atendimento sem que a estrutura hospitalar tivesse passado por expansão proporcional. “Continuamos com a mesma Santa Casa, enquanto a população da região foi crescendo. Isso gera um fluxo muito grande de pacientes”, disse.

Atualmente o hospital conta com 248 leitos, além de serviços de média e alta complexidade. Segundo o diretor, o hospital registra diariamente grande movimentação de internações, cirurgias e atendimentos emergenciais. “Tem dias em que todos os leitos estão ocupados. Em média, cerca de 35 pessoas entram e saem da Santa Casa todos os dias”, afirmou.

Reformas e melhorias estruturais

Entre as prioridades da nova gestão está a melhoria da infraestrutura de internação. O primeiro projeto prevê a reforma completa dos quartos do terceiro andar da Santa Casa.

Cada quarto tem custo estimado em cerca de R$ 50 mil para modernização, incluindo ar-condicionado, banheiro reformado, camas novas, armários e televisão. “Nosso objetivo é dar mais dignidade às pessoas que estão internadas. Quando a pessoa está doente, um ambiente melhor ajuda no acolhimento”, disse.

Até o momento, quatro quartos já foram reformados por meio de doações e parcerias com vereadores e apoiadores da instituição. A meta é concluir todo o terceiro andar até 2027.

Estrutura antiga gera novos desafios

Por ser um hospital centenário, a Santa Casa enfrenta limitações estruturais que exigem investimentos elevados. Um exemplo citado por Renato Reis é a necessidade de troca do transformador elétrico para permitir a instalação de ar-condicionado em parte do prédio.

Segundo ele, o custo estimado para a troca do equipamento é de aproximadamente R$ 7 milhões. “A estrutura é muito antiga e não suporta algumas adaptações. Para colocar ar-condicionado em toda a ala antiga, precisamos primeiro trocar o transformador”, explicou.

Referência regional em cardiologia

Apesar das dificuldades, o hospital mantém serviços considerados referência na região. Um dos exemplos citados na entrevista foi o atendimento cardiológico realizado no Hospital Nossa Senhora, que funciona como anexo da Santa Casa.

O espaço é utilizado para procedimentos como implante de stent e marcapasso, além de cirurgias cardíacas. “Hoje nós temos a grata surpresa de a Santa Casa ser referência em cardiologia no interior de São Paulo. Só no mês passado foram realizados dois transplantes de coração”, afirmou.

Projeto prevê pronto-socorro infantil

Outro objetivo da direção é a construção de um pronto-socorro infantil para ampliar o atendimento pediátrico. O projeto arquitetônico já está pronto, mas ainda depende de recursos para sair do papel.

Ao final da entrevista, Renato Reis afirmou que pretende continuar buscando apoio político e institucional para reduzir o déficit financeiro e ampliar a estrutura hospitalar. “É uma missão difícil, mas o nosso objetivo é melhorar cada vez mais o atendimento e dar mais dignidade para quem precisa da Santa Casa.”

Igor Sorente

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