“Vivarium”: um bairro perfeito, um mistério inquietante e um filme que se arrasta
Vivarium é mais um dos filmes que exploram ideias que ficaram populares na internet, misturando o vale da estranheza com os chamados liminal spaces, aqueles lugares familiares que, por algum motivo, causam uma sensação de desconforto. O resultado é um cenário artificial, com casas idênticas, ruas vazias e um céu que parece nunca mudar.
A fotografia é sensacional. O bairro de Yonder é absurdamente bem construído, com uma perfeição exagerada que acaba causando angústia. Tudo parece limpo e organizado demais, como se aquele lugar tivesse sido criado para imitar uma vida normal, mas sem entender o que torna essa vida humana. É um dos grandes acertos do filme, que consegue transformar um cenário aparentemente comum em algo perturbador.

O próprio conceito do filme também tem potencial. A inspiração no comportamento do cuco, uma ave que coloca seus ovos no ninho de outras espécies, ajuda a construir a estranheza da história. Os imitadores e seus comportamentos bizarros conseguem causar desconforto, mas o filme peca muito no ritmo. Ele é lento demais e se arrasta por boa parte da duração, sem oferecer explicações ou soluções que tornem esse mistério mais satisfatório.
No fim, Vivarium é um filme lindo e entediante. Tem uma fotografia excelente, uma direção visual marcante e ideias interessantes, mas parece confiar tanto na própria atmosfera que se esquece de desenvolver melhor o que tem a dizer. É uma obra que impressiona pelos olhos, mas que, para mim, acaba faltando alma.
Ficha técnica — Vivarium (Viveiro)
- Ano: 2019
- Países: Irlanda, Bélgica e Dinamarca
- Gêneros: Ficção científica, suspense e terror
- Direção: Lorcan Finnegan
- Roteiro: Garret Shanley
- Elenco: Imogen Poots, Jesse Eisenberg, Jonathan Aris e Senan Jennings
- Duração: 1h37
- Classificação indicativa: 16 anos
- Título original: Vivarium
Onde assistir
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