09 de Setembro de 2017 às 11:02Aquino José

Vereador foi a pé até Aparecida do Norte para pagar promessa


Vista aérea de Aparecida por volta de 1939. (Foto: Acervo Instituto Geográfico e Cartográfico)

O calendário assinalava 8 de setembro de 1929 quando Nicomedes de Oliveira Mafra casou-se com Mariana Campos Aguiar. Ele foi vereador por dois mandatos em Barretos. Ocupou cadeira no Legislativo no período de 1960 a 1968. Também é nome de rua que divide os bairros Zequinha Amêndola, com Jardim Califórnia e Jardim Etemp.

Por volta de 1930, Nicomedes de Oliveira Mafra fez uma promessa a Nossa Senhora Aparecida. Segundo o acordo firmado com a santa, caso ele alcançasse a graça solicitada, iria a pé até Aparecida (SP). Sabia que não seria fácil percorrer os 720 quilômetros que separam Barretos da capital mariana do país.

Quando resolveu cumprir a promessa já havia se passado alguns anos. Em 1939 ele tomou a decisão de partir rumo a Aparecida. Precavido, antes de viajar, procurou a polícia local e arrumou os documentos necessários para a romaria. Queria evitar contratempos.

Como naqueles tempos o deslocamento era difícil, Nicomedes de Oliveira Mafra tratou logo que arrumar um cargueiro e bruacas. Providenciou rede, mantimentos, panelas e barraca para dormir. A égua “Libuna” era o seu veículo de transporte. A potra teve que levar os apetrechos no lombo.

Chovia muito na madrugada de 18 de abril quando começou a caminhada. Tinha a companhia do cunhado Carlos Schimidt. Depois de quase 20 quilômetros de estrada, pousaram numa chácara nas proximidades de Jaborandi (SP). Estavam cansados. A bolhas nos pés incomodavam muito. Mas a fé dos romeiros era maior. A jornada continuou no outro dia. O pernoite foi em Viradouro (SP).

No dia 20 de abril, quando passavam por Pitangueiras (SP), Nicomedes de Oliveira Mafra quis dar notícias à sua família. Com este objetivo ele foi até ao centro da cidade. Forasteiro, chamou a atenção de policiais. Foi parar na delegacia. Não teve conversa. O delegado só apareceu muitas horas depois da detenção.

Depois de muito diálogo e explicações, que pouco lhe valeram, Nicomedes de Oliveira Mafra teve o seu revolver apreendido. E ainda não escapou de pagar uma multa no valor de 20 réis. Só assim conseguiu ser liberado para continuar a estirada.

No quarto dia da viagem, o barretense teve que comprar um burro por 50 réis. Era o “Gavião”. A égua “Libuna” estava ferida no dorso por causa da bruaca. A poldra ficou em Vargem Grande do Sul (SP). Foi trocada por uma besta chamada “Ruana”, animal acostumado com o transporte de carga. Resolvido o problema de carregamento, os peregrinos seguiram o seu destino.

A dupla passou ainda pelos municípios paulistas de Sertãozinho, Ribeiro Preto, Cravinhos, Santa Rita do Passa Quatro, Tambaú, Casa Branca, São Bento do Sapucaí. Depois, em Minas Gerais, andou por Andradas, Piedade, Ouro Fino, Borda da Mata, Paraisópolis, Sant’ana do Sapucaí Mirim.

Na cidade paulista de Santo Antônio do Pinhal, que fica cerca de 16 quilômetros de Campos do Jordão, eles começaram a descer a serra da Mantiqueira. As estradas eram perigosas, cheias de curvas. A cerração era intensa. Passaram por Pindamonhangaba.

Era madrugada de 23 de maio quando iniciaram a caminhada até o destino final. Chegaram bem cedinho à cidade. Às 8h00, os romeiros assistiram missa na Basílica Nacional de Aparecida. A promessa estava cumprida. A imprensa da época registrou a peregrinação.

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