29 de Novembro de 2017 às 12:29

Saúde do trabalhador como valor estratégico


Luiz Carlos Silveira Monteiro.

As empresas Apple e Google são consideradas referências no mundo moderno e competitivo. Um dos principais traços dessas duas companhias é a preocupação com a saúde dos seus colaboradores, considerada um valor estratégico para a sua sobrevivência e um dos pilares para o diferencial competitivo. A relevância desse assunto é tão importante, que as decisões sobre a gestão de saúde corporativa são tomadas pelo alto escalão dessas corporações, investindo fortemente na qualidade de vida dos seus trabalhadores. A cultura predominante nas companhias brasileiras não segue o mesmo padrão e mostra que o “Board” executivo delega ao diretor de RH a política em saúde. Em muitos casos, a missão acaba mesmo sendo executada pelo gerente de benefícios ou ainda à área de suprimentos é delegada a escolha do fornecedor de saúde.

Cuidar da saúde dos colaboradores requer a disponibilidade de investimento significativo para as empresas, com impacto na economia nacional. Para se ter uma ideia, as Operadoras de Saúde movimentam cerca de R$ 160 bilhões no mercado brasileiro. Assim, cumprem papel fundamental para os beneficiários, assegurando aos trabalhadores atendimento para as suas necessidades e de seus familiares, durante o episódio da doença, mas as companhias precisam ampliar sua visão sobre a gestão de saúde populacional. Investir no bem-estar do colaborar e familiares precisa ir além dos gastos com plano de saúde. Levantamento realizado por empresas do setor mostra que os CEOs não avaliam que esse “custo” com plano de saúde representa apenas 1/4 de uma despesa muito maior. Os outros 3/4 respondem entre o absenteísmo ligado à saúde e o presenteísmo, considerado o mal da modernidade. A presença do trabalhador na companhia nem sempre é garantia de resultados. Se ele apresentar alguma alteração de saúde, física ou mental como depressão ou ansiedade, vai impactar na sua produção. Essas ainda são questões difusas para a maioria dos executivos.

Uma outra vertente muito comum entre as companhias é a cultura centrada na doença. Essa postura vai na contramão das tendências mais exitosas do setor, que consideram muito mais produtivo, e com resultados surpreendentes, investir no estímulo à saúde. Esse novo modelo de Gestão de Saúde Populacional tem como base um mapeamento completo do seu público, que permite conhecer detalhadamente o perfil de risco e demandas particulares. Em seguida, deve-se construir uma estrutura que incorpore as necessidades apontadas no levantamento anterior, sempre tendo em vista as características de cada empresa.

Os resultados desse novo modelo de gestão surpreenderão os executivos. A nossa experiência mostra que 20% dos usuários consomem 80% dos recursos da área. A identificação desse público vai contribuir para a criação de programas de promoção e prevenção à saúde, reduzindo significativamente os custos com operadoras de saúde. Para segmentos específicos, como fumantes, obesos e sedentários, além dos doentes crônicos, um modelo eficaz traz resultados significativos, melhorando inclusive o desempenho do colaborador. Também é preciso não esquecer da população saudável, mantendo estímulos constantes para a manutenção da qualidade de vida. 

Os impactos de um modelo de promoção à saúde vão além do território das firmas. Os colaboradores estimulados e conscientes da importância desses programas levarão, com certeza, para a casa o aprendizado nas corporações. Esse é um caminho natural em um mundo onde as pessoas estão preocupadas com a sua saúde. Por isso, as companhias têm a oportunidade de contribuir com essa mudança. O primeiro passo é colocar a saúde, e não o tratamento da doença, como elemento estratégico para sua sobrevivência.


Luiz Carlos Silveira Monteiro é presidente da PBMA (Associação Brasileira das Empresas Operadoras de PBM) e da ePharma, e conselheiro da Asap (Aliança para Saúde Populacional).

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